— do Largo 25 de Abril

Os rasgados elogios que a sentença do juiz de Portalegre (que considerou a dívida paga com a entrega da casa ao Banco) mereceu dos nossos comentadores demonstra que, assumidamente, já não vivemos num Estado de Direito, mas num Estado de Direito Livre.

Com efeito, qualquer pessoa com dois dedos de testa que vivesse num Estado de Direito ficaria aterrorizado com aquela sentença porque ela revela que, neste momento, os tribunais portugueses funcionam em roda livre, tendo os juízes portugueses, individualmente, assumido o papel de legisladores,  decidindo de acordo com as suas convicções, independentemente do que manda ou diz a lei e mesmo contra a lei e a restante jurisprudência.

É óbvio que o legislador foi o principal culpado por se ter chegado a esta situação, ao descredibilizar o processo legislativo e a lei que, de há uns anos a esta parte, passou a ser cozinhada e alterada de acordo com as conveniências e os interesses dos amigos.

Isto não significa, obviamente, que eu não concorde com o princípio de que a dívida aos bancos deva ser considerada paga com a entrega da casa. Mas são duas coisas diferentes. Uma coisa é discordar-se da lei, outra coisa é não aplicar a lei. Todos nós temos o direito de discordar das leis, mas não cabe aos juízes a tarefa de alterar as leis com as quais não concordam. Pior do que um má lei é a insegurança jurídica causada por esta forma de julgar segundo o princípio de “cada cabeça sua sentença”.

Não vale, pois, a pena os nossos comentadores andarem por aí a clamar por reformas legislativas quando eles próprios caucionam esta forma de julgar em que as leis só são aplicadas se o juiz do processo concordar com elas.

Santana-Maia Leonardo

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DIREITO  DE SUPERFÍCIE SOBRE PARCELA DE TERRENO NO AERÓDROMO MUNICIPAL DE PONTE DE SOR  – PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA A CEDÊNCIA DE POSIÇÃO CONTRATUAL NO CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DO DIREITO DE SUPERFÍCIE CONCEDIDO À “SÔR AIR  – SOCIEDADE AERONÁUTICA, S.A,” PARA A SOCIEDADE FLUIRDADOS – SOCIEDADE AERONÁUTICA, S.A.

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Declaração de voto (CONTRA) dos vereadores eleitos pela CDU: “Na reunião de 12 de Outubro de 2011, estivemos contra ao Direito de Superfície sobre a Parcela de Terreno no Aeródromo Municipal à Empresa SÔR AIR, S.A., com os argumentos na altura apresentados em declaração de voto, não podemos estar agora de acordo à cedência de posição contratual para a Empresa Fluirdados, S.A.”

Declaração de voto (CONTRA) do vereador eleito pelo PSD:Voto contra porque não posso ser alheio à forma como votei anteriormente a cedência do direito de superfície à SÔR AIR, S.A., a qual  na altura entendi que deveria ter sido precedida de hasta pública e o cessionário pagar uma renda pela utilização do espaço. Por outro lado, os Serviços Jurídicos deveriam acautelar outros aspectos de extracto administrativo, designadamente ter em conta a situação financeira deste Grupo e das obrigações do mesmo para com o Município.”


Reunião de Câmara de 12/10/2011

CONSTITUIÇÃO DE DIREITO DE SUPERFÍCIE A FAVOR DE SÔR AIR – SOCIEDADE DE AERONÁUTICA, S.A., NO AERÓDROMO DE PONTE DE SOR

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Declaração de voto (CONTRA) dos vereadores eleitos pela CDU: “Da análise do presente assunto, lembramos, para enquadramento e fundamento do voto contra dos Vereadores da CDU que este pedido foi inicialmente presente na reunião da Câmara Municipal de 23 de Junho d 2010, onde o mesmo, requerido pela SÔR AIR, empresa do grupo CS, se apresentava sob a forma de pedido de atribuição pelo Município, na qualidade de entidade gestora do Aeródromo Municipal, para a utilização privativa por parte da requerente e por 99 anos, de uma parcela de terreno com cerca de 4.400,00 m2, situada no Aeródromo. Este pedido foi aprovado pela maioria do Partido Socialista, por um período de 30 anos, tendo igualmente sido remetido ao Gabinete Jurídico para a elaboração de um Protocolo. Em 29 de Setembro do mesmo ano de 2010, foi presente uma proposta do Senhor Presidente da Câmara, com a fixação do valor do contrato do direito de superfície com a citada Empresa, tendo sido aprovado pela maioria do Partido Socialista a fixação de um valor de 1,50 €/m2. Mesmo reconhecendo legitimidade de qualquer empresa para fazer tal pedido, a qual não questionamos, desde o primeiro dia que os Vereadores da CDU reclamaram a urgência em haver um Regulamento Municipal para cedência de espaços que integram aquele equipamento enomeadamente com a definição de normas para a atribuição de hangares, e; desde o primeiro dia que exigimos uma análise jurídica sobre os pressupostos e enquadramento legais que legitimaram a então decisão e aprovação pelo Executivo do Partido Socialista. Efectivamente, só na última reunião, aquando da apresentação de um novo pedido pela mesma Empresa, para a constituição do direito de superfície para uma nova parcela diferente da inicial, entretanto remetido para esta reunião acompanhado de parecer jurídico, nos apercebemos de factos que comprovam as nossas dúvidas e suspeitas de irregularidade em todo este processo: 1- Ao contrário do que foi afirmado nunca esteve presente na reunião da Câmara Municipal, para análise de todos os eleitos, qualquer parecer jurídico que agora finalmente surge; 2- De igual modo todo o processo com o respectivo Contrato de Cedência, assinado, só estiveram presentes na última reunião da Câmara Municipal; 3- O teor das deliberações da Câmara Municipal, anteriormente citadas, não abrangem a aprovação de qualquer contrato, o que viemos a saber que existia e se encontrava em vigor, tendo por isso associado mais um acto com contornos duvidosos no que respeita à legalidade e competências dos envolvidos no processo. Comprovando-se tais factos, eis que com a presente discussão, estamos finalmente perante a análise jurídica da Senhora Secretária do Vereador do Urbanismo, sobre o enquadramento e legalidade do pedido e da tentativa do Executivo do Partido Socialista emendar a mão sobre o historial já relatado. Incidindo sobre o presente, distanciando-nos de, numa decisão política, não esgrimirmos argumentos jurídicos de ordem técnica, parece-nos uma vez mais ser determinante, na perspectiva de salvaguarda do interesse público que: 1- O Município esteja munido de um Regulamento Municipal de Cedência de Espaços e Hangares no Aeródromo Municipal que regule critérios; 2- O âmbito de incidência do parecer jurídico e o alcance da Lei, não impedem a discricionariedade de uma decisão sobre tais pedidos e que está implícita nesta aprovação, nomeadamente recorrendo a um procedimento de hasta pública; 3- Não são definidas contrapartidas para além das que vagamente a lei invoca. Em conclusão este assunto e todo o processo associado é demonstrativo da busca desesperada do Executivo do Partido Socialista em querer dar um uso visível ao Aeródromo Municipal e à verba avultada ali investida, isto, depois da falência da EMA, da nova deslocalização dos meios aéreos de protecção civil, então previstos para Ponte de Sor e das vicissitudes ocorridas, com o tão propagandeado cluster aeronáutico do concelho de Ponte de Sor..”

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Deslocação a Barcelona

CONVITE PARA PARTICIPAR NO FESTIVAL CORAL INTERNACIONAL CALLELA  – BARCELONA / CORAL POLIFÓNICO DE PONTE DE SOR – ASSOCIAÇÃO CULTURAL

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Deliberação: “Atribuir um subsídio ao Coral Polifónico de Ponte de Sor  – Associação Cultural, no valor de 15.190,00 €, para fazer face às despesas com a deslocação a Callela  – Espanha, (…) Acompanharão o Grupo Coral Polifónico de Ponte de Sor, dois representantes da Autarquia.

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Aprovado por maioria, com os votos contra dos Senhores Vereadores Vítor Manuel Feliciano Morgado, Joaquim Augusto Guiomar Lizardo e o voto de abstenção da Senhora Telma Margarete Cardiga Bento Silva e os votos favoráveis dos restantes membros.

O Senhor Vereador Vitor Manuel Feliciano Morgado, efectuou a seguinte declaração de voto: “Como referi na reunião de Câmara de 29 de Fevereiro de 2012, em que esteve presente quatro deslocações ao estrangeiro (Cabo Verde, Itália, Hungria e Roménia), e não obstante o mérito que os Grupos Culturais têm, não estou contra que os mesmos tenham representação em eventos internacionais e que a Câmara os apoie. No entanto, as condicionantes financeiras, que se reflectem em muitas deliberações e decisões com condicionalismos e restrições a outros sectores, impedem-me de votar favoravelmente a mais uma deslocação ao estrangeiro, desta vez a Barcelona.”

O Senhor Vereador Joaquim Augusto Guiomar Lizardo, também efectuou a seguinte declaração de voto: “Entendo votar contra já que face aos condicionalismos de natureza económica. Financeira e até social, que o País e o Concelho vivem, entendo que não se reúnem as melhores condições para que a Câmara assuma nesta altura este encargo. Devo reconhecer no entanto o elevado mérito artístico e cultural do Coro e do justo valor que a Câmara lhe deve reconhecer, ainda assim politicamente julgo que não é de facto uma boa altura. Por outro lado, face ao precedente que está criado de outras organizações do Concelho terem idêntico e legítimo direito de participarem em eventos no estrangeiro, que devemos sobre certas condições (em valor e número de eventos a participar por ano) sempre patrocinar, deva ser criado no Regulamento específico as condições que este tipo de evento possa ser patrocinado”.

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Prestação de contas reletivas ao ano 2011, da Junta de Freguesia dos Foros do Arrão, aprovada por maioria na Assembleia de Freguesia com os votos dos 5 eleitos do PS e os votos contra dos pelos 2 eleitos da CDU.

Declaração de voto

Os eleitos da CDU na Assembleia de Freguesia de Foros de Arrão depois de apreciarem a Prestação de Contas relativas ao ano 2011 entenderam que a atividade da Junta de Freguesia é pouco relevante no que diz respeito á execução do PPI dos 4 projetos só realizou 2, isto é 54% do nível de execução do PPI.

Basicamente a Junta de Freguesia pagou o seu expediente, atribui subsídios e realizou 2 projetos. Também por este motivo e pelo facto de transitar para a gerência seguinte 32,329,90 euros. Não entendemos porque não cumpriu este executivo a deliberação votada por maioria por esta Assembleia no dia 18/12/2010.

Em suma, não seria necessário muita imaginação para que com estes recursos se fizesse muito mais.

Por tudo isto votamos contra a Prestação de Contas.

Foros de Arrão, 29 de Abril 2012

 Os eleitos da CDU

Ismael Lopes Jacinto

 Júlio Pedro Felisberto Oliveira

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Moção apresentada na Assembleia de Freguesia dos Foros do Arrão no dia 29 de Abril de 2012 pelos eleitos da CDU, indeferida com os votos contra dos 4 eleitos do PS, 1 abstenção e os votos favoráveis dos 2 eleitos da CDU. 

MOÇÃO DE RECOMENDAÇÃO

A Assembleia da Republica aprovou no passado dia 13 de Abril, com os votos favoráveis do PSD e do CDS a Proposta de Lei 44/XII que aponta para a extinção de centenas de Freguesias.

Esta medida, a ser implementada, provocará mais abandono e a desertificação do interior do País, maiores assimetrias no território e menos investimento local.

Ao contrário do que é afirmado, as Freguesias não contribuem em nada para o aumento da dívida pública (representam menos de 0,1 % do total do orçamento do Estado e não podem contrair dívidas de médio e longo prazo).

As Freguesias do País já mostraram ao País e ao Governo a sua oposição à medida, quer através do Congresso realizado em Dezembro e do Encontro Nacional de Março, quer na manifestação de eleitos e populações que juntaram em Lisboa no passado dia 31 de Março, mais de 200 mil pessoas.

Assim propomos que a nossa Assembleia de Freguesia expresse publicamente:-

1-      A sua oposição a qualquer proposta de liquidação de Freguesias, por aquilo que representam para as populações, lembrando que ninguém foi mandatado para liquidar Freguesias;

2-      Apelar à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal para que recusem ser cúmplices da liquidação de Freguesias no nosso concelho;

3-      Exortar a ANAFRE e a Associação Nacional de Municípios para que não se façam representar na chamada Unidade Técnica;

4-      Apelar ao Senhor Presidente da República para que não promulgue esta legislação já que nunca a referiu aos Portugueses na sua campanha eleitoral, e  tendo presente ainda as declarações publicas que tem proferido sobre a desertificação e o despovoamento do interior;

5-      Recomendar a Junta de Freguesia e exortar a nossa população para que tomem posição publica sobre o assunto, se forem chamados a participar. Hoje poderão ser outras Freguesias mas amanhã poderemos ser nós.

Os eleitos da CDU na Assembleia de Freguesia

Ismael Lopes Jacinto

Júlio Pedro Felisberto Oliveira


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O Município de Portalegre, tendo tido conhecimento que as grandes superfícies comerciais do nosso concelho estarão abertas no dia 1 de Maio, vem por este meio, e por unanimidade, expressar o nosso desalento com este facto.

Sem submissões ideológicas, consideramos que ao não abrirem nesta dia, não ocorreria qualquer grande inconveniente para a população, e permitiria que todos os trabalhadores pudessem comemorar a sua data.

Data que é comemorada universalmente e que decorre de uma história de progresso social e civilizacional, e que achamos ter contribuído para a melhoria das condições de vida de todos.

Não tendo poderes para alterar este facto, resta-nos expressar a nossa tristeza e desalento e esperar que o mesmo não ocorra no futuro.

O Município

proposta apresentada pelo vereador da CDU 

Hugo Capote

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Contado, toda a gente acredita: o Pingo Doce dá um super-desconto, a população adere em massa, é um golpe genial. Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria. “O balanço é positivo, considerando-se a acção como conseguida”.  (…)

Dar um desconto de 50% num cabaz significa ter uma margem média de 100% para ganhar dinheiro. Margens médias de 100% na distribuição são como manadas de gazelas na Atlântida, não existem. Dir-se-á: e os clientes com isso? É concorrência e a concorrência é linda. Pois, mas esta é feia. Porque se é abaixo de custo, a do Pingo Doce ou a do Continente, não é concorrência, é anti-concorrência. É destruir concorrentes que não suportam predações. É aniquilar fornecedores que as subsidiam. 

A distribuição não é para meninos. É um negócio de margens reduzidas, negociações complexas, de um conhecimento quase doentio dos hábitos dos clientes. Fazem-se promoções ao meio-dia porque quem está com fome compra mais. Perfuma-se o ambiente com pão quente porque se vende mais. Dispõe-se os alhos ao pé dos bugalhos, nivela-se as prateleiras pela criançada, desnivela-se a iluminação entre dois corredores, puxa-se o lustro à fruta. É assim. E a Jerónimo Martins é o melhor grupo português a fazê-lo. É a empresa mais valiosa em Bolsa. Vale mais que a Galp. (…)

Também vale arrancar olhos. Assim foi neste 1º de Maio. Cenas lúgubres em todo o país. Os gestores viram um livro de marketing a ser implementado. Os economistas viram um livro com curvas de oferta e procura. Os juristas viram um livro de direito da concorrência. Eu vi um livro de Saramago a escrever-se sozinho. 

Já foi escrito: a reacção dos clientes é racional, nada a apontar. Faltou escrever: quem organizou o circo romano sabia ao que ia. E orgulhou-se no dia seguinte. Ficámos a saber como está o país. A violência que não se vê nas manifestações de rua comprime-se no afã vidrado de uma fila de supermercado.

Esta não é uma questão entre direita e esquerda, entre idiotas e ideólogos, entre moralistas e pragmáticos, não é distracção, não se compara com saldos de trapos nem com liquidações de livros. Porque nenhuma dessas promoções provoca estes tumultos descontrolados. Talvez só uma oferta de gasolinas produzisse a mesma loucura. (…)

Acicatar a voragem desumana, como se viu neste Maio, não faz parte dos valores que Alexandre Soares dos Santos construiu. De defesa de salários dignos, de criação de postos de trabalho, de assistência social aos funcionários em dificuldades. Nem serão os valores de Isabel Jonet, que gere no Banco Alimentar situações de pobreza extrema com tacto social e dignidade individual. Isto é uma manifestação de poder autoritário. (…)

Para o Pingo Doce, os descontos do 1º de Maio terão sido um golpe de marketing ou um anúncio de uma nova estratégia. Mas para os portugueses, que reviram um país negado e renegado, foi mais do que isso. Foi uma humilhação. Como no “Rei Lear”, de Shakespeare: “Esta é a praga deste tempo, quando os loucos guiam os cegos”

Pedro Santos Guerreiro,  Jornal de Negocios 02 Maio 2012

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